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Começou o ano no vermelho? Especialistas dão dicas para colocar as finanças em dia

Número de inadimplentes no Brasil cresceu 10,5% em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024, aponta Serasa

Os gastos que se concentram na virada do ano costumam pesar no bolso do brasileiro. Passado o período de festas, chegam as despesas tradicionais, como IPTU, IPVA e material escolar. Segundo levantamento da Serasa, o número de inadimplentes no país cresceu 10,5% em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024. Especialistas ouvidos pelo jornal O DIA dão dicas de como sair do vermelho.

O panorama atualizado da inadimplência no Brasil, com base nos dados da Serasa, aponta que, em dezembro de 2025, o número de endividados chegou a 81.248.016, frente aos 73.512.252 registrados em 2024. Do total de devedores, 35,6% têm entre 41 e 60 anos; 33,4%, entre 26 e 40 anos; 20% têm mais de 60 anos; e 11% têm até 25 anos. Quanto ao gênero, 50,4% são mulheres.

O consultor financeiro e autor do livro "Produtividade Financeira", Renan Diego, ressalta que, sem planejamento, os compromissos financeiros do início do ano podem representar um peso.

"Essas contas fixas ainda são pedras no sapato de diversos brasileiros, principalmente dos que não se organizam para arcar com esses gastos no começo do ano. São despesas previsíveis, porém elevadas, que pegam muitas famílias de surpresa quando não são planejadas", explica.

Renan Diego também frisa que buscar renda extra é uma opção neste momento. "Pode ser necessário buscar alternativas para aumentar a renda, como trabalhos extras ou a venda de itens que não estejam sendo utilizados", aponta.

O social media Vinicius Marinho, de 25 anos, conta que teve o nome negativado por despesas do dia a dia durante a pandemia.

"As dívidas surgiram principalmente a partir de despesas básicas e inevitáveis, como aluguel, faturas de cartão de crédito e outras contas fixas. Com a redução das oportunidades de trabalho e da entrada de capital, manter esses compromissos se tornou cada vez mais difícil", lembra. "O que começou como um aperto momentâneo acabou se transformando em um acúmulo de pendências financeiras, refletindo a realidade que muitos brasileiros enfrentaram naquele período."

Vinicius afirma que teve o nome negativado pela Serasa e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e levou dois anos para quitar as dívidas.

"Foi um período extremamente desafiador, não apenas do ponto de vista econômico, mas também emocional. O cenário de incerteza, a instabilidade do mercado e a retração das oportunidades profissionais impactaram diretamente minha renda e, consequentemente, minha organização financeira", diz.

O social media ressalta ainda que, como as propostas apresentadas pelos bancos não eram vantajosas, a melhor opção foi negociar diretamente com os órgãos de proteção ao crédito.

Inadimplência em alta

Segundo o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, o início de 2026 foi marcado por uma pressão mais firme da inadimplência no país. Maluhy Filho indica que o período costuma ter sazonalidade desfavorável.

"Janeiro é um mês de compromissos importantes das famílias, então você acaba tendo um impacto maior na inadimplência, que depois tende a se normalizar", afirmou durante um painel do evento Rumos, realizado no dia 2.

Mauricio Nakahodo, professor de economia da Faculdade Eseg, comenta as previsões para os próximos meses.

"A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sinaliza queda gradual da inadimplência no primeiro semestre, com estimativa de recuar para 28,9% em junho, mesmo com o endividamento alto. Já a Serasa tem mostrado um estoque muito elevado de inadimplentes, com novas máximas na série em meses recentes", observa.

"Entendo que a inadimplência tende a melhorar gradualmente se os juros começarem a ceder e a renda e o emprego seguirem firmes. Mas o nível de inadimplência ainda pode ficar relativamente alto, porque o endividamento está elevado e o crédito ao consumo segue crescendo", acrescenta.

Principais erros

O educador financeiro Gabriel Sarmento garante que, entre os principais erros do começo do ano que geram endividamento, está a falta de planejamento.

"Não reservar dinheiro nos meses anteriores para dar conta dos gastos extraordinários de janeiro, como IPTU, IPVA e outros. Guardar o 13º ajudaria muito, mas a maioria o gasta na Black Friday e nas festas de fim de ano", aponta.

Renan Diego acrescenta que o parcelamento de fim de ano pode deixar as contas no vermelho.

"Exagerar nas compras e parcelamentos de fim de ano, pagar apenas o mínimo do cartão de crédito, o que leva ao acúmulo de juros altos, são alguns dos principais erros, assim como não ter reserva de emergência para imprevistos, manter um padrão de vida acima da renda, não acompanhar de perto os próprios gastos e deixar de negociar dívidas logo no início também são fatores importantes para a inadimplência", diz. "Em geral, esse problema surge da combinação de falta de planejamento, consumo por impulso e desorganização financeira."

Gastos invisíveis

Para quem deseja economizar, é fundamental entender que muitas despesas, à primeira vista insignificantes, podem acabar comprometendo o orçamento.

"Existem diversos gastos que muitos consumidores não conseguem identificar. Entre os principais estão assinaturas pouco utilizadas, streaming, apps, clubes, taxas bancárias e tarifas automáticas, juros do rotativo do cartão e compras por impulso de baixo valor, como delivery, cafés, lanches; ‘parcelinhas’ que parecem pequenas isoladamente são alguns deles", pontua Renan Diego.

De acordo com o especialista em finanças, determinados gastos podem parecer inofensivos individualmente, "mas, juntos, podem comprometer uma parte significativa da renda sem que a pessoa perceba".

Como sair do vermelho

Para quem deseja colocar as contas em dia, os especialistas em educação financeira consultados por O DIA dão orientações sobre o que fazer. Sarmento afirma que o primeiro passo começa pelo diagnóstico financeiro:

"Verifique todas as suas contas fixas e recorrentes mensais, descubra o seu custo fixo de vida mensal, inclua os gastos essenciais para sua sobrevivência nessa conta. O que ficar de fora deve ser revisado, reduzido ou cortado. Verifique, no site do Banco Central do Brasil, o seu Registrato para saber o quanto você está devendo e para quais instituições financeiras."

A partir disso, é preciso definir um plano, indica o consultor Renan Diego: "Com esse mapeamento, é essencial cortar temporariamente despesas não essenciais, evitar novas dívidas e priorizar a quitação daquelas que têm juros mais altos, além de considerar negociar com credores ou buscar renda extra, se necessário."

A renegociação das dívidas também é um passo importante, mas precisa ser planejada. "Além de reduzir juros e alongar prazos, também é possível obter descontos à vista, tornando o pagamento mais compatível com o orçamento", frisa Renan Diego.

"Vale lembrar que a renegociação de dívidas também deve ser feita de forma estratégica, já que depende de conhecer o valor total da dívida. É indicado priorizar aquelas com juros mais altos, negociar condições realistas e manter disciplina para não contrair novas dívidas, permitindo quitar os débitos mais rapidamente e evitar o acúmulo de juros elevados."